Partilhas (fragmentos)

Confira as publicaçõesMatizes

pelas manhãs desperto
as fontes de uma
    cor
    ação
tingindo o dia de anseios

pelas tardes enfrento
o véu cigano do olhar
em ruas humanas e
claras

pelas noites guarneço
as forças do sonho
    sonar
de novos matizes de
ser



Marés

espuma triste como alguém que parte
as águas tentando um toque
    extensões
cada vontade é uma onde que molha
em marés diárias
a frieza de um pingüim
    eu guardo o mar
    dentro de mim



Águas

venho de angústias de chuva
tecer desejos
teus sempre teus
    horizontes
não me perco em mim
molhados somos assim
atrás de dias e
    noites



Luzes

as luzes correm lá fora
teu candeeiro se agasalha no peito
claro em meus olhos
tremulas em mim
me aqueço em instantes
    eternidades



Ventos

dos teus sins abissais
despenco
e um vale de buscas me espera
caçador de ventos
    tempestades
teu coração natural investe
contra meu peito
    moinho



Terras

teus olhos de centeio
se acumulam
no fresco olhar que planto
em minhas terras

sou minifundiário
enquanto durem
as cheias de tuas fontes
renováveis

e aro em pensamento
a nova safra
de cores cereais
no firmamento



Outono

caio como papel ao vento
folhas em teu colo macio
outono é verde espera
com olhos plantando raízes



Caças

com a rede
caço palavras crisálidas
que operam tua pele
e traduzo um punhado de
    asas
no papel

busco tua essência e colho
em pleno vôo as
    imagens
que trazes no corpo

fotografo a lua
escondida em tua face
e guardo um pedaço de ti
sobre a mesa

as palavras são aéreas
e eu
piloto
da tua inconstante
nave