De laços abertos (fragmentos)

teu pêlo:
cancela e abismo
do teu
colo
em fúrias
cabaça
abracadábrica
que
morde
minha palavra
-blasfêmea
e
abre alas
do teu
duplo claustro:
crisálidas ocultas
que meu ser
fecunda
re
colhendo pássaros
os poemas conciliam
os teus pêlos com as palavras:
um movimento esquilo
Carlos Nejar
tua fonte:
ágata de espelhos
doce cor de esteiras
onde deito meus caminhos
aves lapidadas
em ti:
primaveras
em
vôo
a gosto de setembro
portais:
a laca do desejo
em tua concha:
esperancas
minhas tranças dormem
nu
teu
travesseio
tua face:
onde perdeu-se
em fim
minha certeza:
de ser
no fundo poço
do teu corpo
o cio
do líquen
ávido
em cobrir-te
pedaço de mim
nascente
que se morre
volve
amanhecente:
amártir
teus olhos:
raízes
no leito de minhas águas
certeiro
nos len/sóis
me nutre
teu mirar leguminoso
como a vida que passa
no dorso de nossas margens
na tarde do teu curso
lacrimejo
e
úmido
rego
magnolhos
tua pele:
lua látex
levedura
de mim
no que me afinco
na noite láctea
peleamos
credores
por substâncias de
vida
e na lassa manhã
devinda
(as dívidas com/pe/lindo)
escapulimos
do
ninho
tua carne:
acácia rubra
alvo
meu paço
no então dos dias
melissa
com que me alimento
e
subtraio
das trevas
teu aceite
em mim tu candeeiro abres a tarde
minha vida assim se espanta
em prosseguindo
no fundo
do futuro
e
lumiarde
el mar, el mar y tú, plural espejo
Octavio Paz
tua fala:
labirinto azul
onde me perco/encontro
o peixe-não do teu receio
o musgo-sim da tua vontade
os ventanais fugazes do teu corpo
alçando sais de inércia e dores
em meu peito
palavra tua:
espelho d'água em andamento
onde uma trilha
nua
se prepara
tuas coxas:
vagianais espelhos
no vagar
dos
meus olhares
mares fulvos do teu corpo
oceâmago
onde me oriento
os claros magos do teu peito
me calculam
e o coração resulta a soma
in/vertida
das distâncias:
maritmét(r)icas
amalgamarinhas